Em viagem sozinhas: uma entrevista com Inês Mota

O teu estilo de vida é viajar. É provar tudo o que puderes provar, ver tudo o que possas ver, visitar tudo o que possas visitar. Não deixas de adicionar glamour a tudo o que fazes, e bem. Viajar para ti representa não só conhecer novas coisas, como é também um privilégio que abre os teus horizontes e aguça sentidos. Vê as dicas da nossa viajante lifestyle Inês Mota.

1. O que viajar representa para ti?

Viajar é a melhor coisa que podemos fazer na nossa vida. Uma forma de conhecimento única que vive das nossas experiências. Conhecer novas culturas, paisagens e patrimónios é um privilégio que abre os nossos horizontes e aguça os nossos sentidos.

2. Quando e qual foi o destino para onde viajaste sozinha pela primeira vez?

Ainda só viajei uma vez sozinha e foi para Paris, em abril de 2015.

3. Como viajar sozinha te enriquece e por que o fazes?

Viajar sozinha permitiu conhecer-me melhor. Quando desfrutamos unicamente da nossa companhia aprendemos a dar valor a isso. É delicioso descobrirmos as nossas capacidades e vontades simplesmente por fazermos algo sozinhos. Eu descobri que era capaz de superar os desafios básicos de uma viagem e que realmente era possível desfrutar de todas as partes incríveis de uma viagem sozinha. Isso deu-me uma autoconfiança tremenda e uma sensação de que sou capaz de realizar qualquer coisa a que me proponha. Regressamos de uma viagem assim a sentirmo-nos completos.

4. Na tua opinião, quais são os maiores desafios de viajares sozinha e como lidas com eles?

Julgo que será sempre a questão da segurança. Não é um desafio exclusivo a quem viaja sozinho mas, quando partimos para uma aventura nestas condições, é uma questão que ganha um peso ainda maior. Estamos à nossa responsabilidade e mais vulneráveis (especialmente no género feminino). O ideal será sempre viajar com consciência, cautela e com um bom conhecimento do destino (se é seguro ou não, zonas a evitar, alojamentos em lugares mais movimentados, cautela com o que revelamos aos outros…)

5. Quais são os teus conselhos para organizar uma viagem a solo?

Privilegiar alguns confortos (escolher um destino que se sintam à vontade e com um choque cultural mais pequeno, com uma língua que saibam comunicar…), estudar bem o destino (é seguro? Qual é a abordagem do destino em relação ao turismo? Vai acontecer algum evento de maior dimensão durante a estadia? Existe algum pormenor que devam ter conhecimento prévio antes de embarcar?), manter as suas pessoas em contato, guardar todos os números de emergência locais e redobrar os cuidados que já teriam numa viagem acompanhada (onde deixam os pertences, como os carregam, evitar zonas desaconselháveis, ter consciência dos nossos limites para andar, gastar ou consumir).

6. Qual o destino perfeito para uma lifestyle traveler e por quê?

Creio que os destinos europeus são muito agradáveis de visitar a solo. Regra geral, são destinos já muito preparados para o turismo, são seguros, acessíveis no inglês mesmo quando não é a língua materna e com várias atrações turísticas e dinamismo. Todos estes fatores tornam a viagem não só mais confortável, como também estimulante e enriquecedora.

7. Diz-nos algo que aconteceu numa das tuas viagens que impactou a forma como viajas.

As viagens que mais me marcaram foram as que revelaram um enorme choque cultural comigo. Cuba e Senegal são um exemplo claro, com uma discrepância socioeconómica enorme e onde os extremos coabitam. Observar realidades, valores, princípios e tradições tão diferentes da minha marcou-me. Não creio que tenha transformado cabalmente a forma como viajo, mas acho que rebentou a ‘minha bolha’ e deu-me uma visão do mundo mais real. Talvez tenha impactado a forma como encaro a minha vida (e o privilégio que é vivê-la como vivo).

8. Como é percebido em Portugal o facto de uma mulher viajar sozinha?

Creio que qualquer atividade a solo é, ainda, observada com alguma resistência. As pessoas têm complexos em comer fora sozinhas, passear sozinhas, ir ao café, às compras, ao cinema, a um concerto sozinhas, que dirá de uma viagem? Há um medo de parecermos sós que nos impede de desfrutarmos da nossa própria companhia. Sendo mulher e desejando partir para uma aventura a solo, o complexo agrava-se precisamente pelo seu género, por poder não ser seguro e estar vulnerável. São preocupações que não condeno e que compreendo mas julgo que ainda nem chegámos a esse debate enquanto olharem com pena para alguém, só por ter pedido uma mesa para um. Estamos longe dessa discussão.

9. Como lifestyle traveler, quais são as tuas atividades favoritas quando viajas sozinha?

As minhas atividades não variam muito do que já gosto de fazer acompanhada; gosto de visitar os museus e galerias, os monumentos, de passear pelas ruas sem destino em particular, de experimentar sabores e restaurantes, de me sentar na esplanada e observar a rotina dos locais a acontecer, de fazer algumas compras… Não notei a mínima diferença. Gosto de desfrutar ao máximo do meu destino.

10. Para que tipo(s)/estilo(s) de mulheres a viagem a solo é perfeita?

Acredito que qualquer mulher pode fazê-lo. O mundo é tão vasto e há tantos tipos diferentes de viagens, destinos, culturas, experiências… Mesmo quando vamos acompanhados, há viagens que gostamos mais de fazer ou que refletem melhor a nossa identidade. Por que razão o mesmo não aconteceria com mulheres a viajar sozinhas? Toda a mulher pode encontrar o destino perfeito para desfrutar de uma viagem na sua própria companhia. Vale um pouco de autoconhecimento para saber qual é o destino perfeito para as suas características, capacidades, personalidade e interesses.

11. Numa frase, o que dirias para inspirar outra mulher a viajar sozinha?

Vai e desfruta da tua companhia. É a melhor do mundo.

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