A Rota do Românico no Norte de Portugal

A Rota do Românico vai levar-te a conhecer 3 lugares: Rota do Vale do Sousa, Vale do Tâmega e Vale do Douro. Por aqui, ajudamos-te a descobrir um bocadinho de cada um deles. Quando lá fores, já terás a matéria apreendida. Tal como na escola!

Rota do Vale do Sousa

A Igreja de São Vicente de Sousa faz parte da Rota do Românico.

Comecemos a Rota do Românico pela Igreja São Vicente de Sousa, no concelho de Felgueiras. A sua primeira data é de 1162 e é constituída por uma única nave e capela-mor retangular. No exterior, salta à vista a cor cinzenta da pedra de estilo românico e uma fachada saliente. Ali perto, há também a Igreja de Santa Maria de Arães, quase gémea, assim como a Igreja de Santa Maria de Meinedo, já em Lousada. Aqui mesmo há ainda a Torre de Vilar do Sousa de construção medieval portuguesa. Com 14 metros de altura, este é um exemplo de como eram as primeiras torres senhoriais do final do século XIII, transmitindo uma imagem de nobreza e de poder dos seus proprietários.

No Porto, encontramos a Igreja (ou Mosteiro) de São Pedro de Ferreira (também conhecida por Igreja de São Salvador), de arquitetura impressionante. O pórtico de entrada contém cinco arcos com colunas simples e capitéis fortemente detalhados. No interior, nota-se uma tremenda influência galega. A pia de batismo é de estilo manuelino e, lá dentro, existe também uma imagem gótica de São Pedro, o padroeiro do mosteiro. A mistura de estilos românico e gótico é também visível num outro mosteiro: o de Salvador de Paço de Sousa, em Penafiel.

Torre de Vilar.

Continuando a conhecer as maravilhas da rota do românico, agora para os lados de Viseu, chegamos ao Mosteiro de Santa Maria de Cárquere. Com a clássica mistura românico-gótica, aqui podes encontrar a mais antiga iconografia da Gaita de Foles esculpida num capitel. E em Resende, fotografa a Igreja de São Martinho de Mouros. O seu granito escuro vai impressionar quando regressares a casa e olhares para as tuas memórias digitais.

Em Paredes há para ver a Ermida da Nossa Senhora do Vale onde os detalhes românicos resistiram ao tempo com restos ainda de pintura mural; a Torre dos Alcoforados, símbolo da Idade Média composta por dois pisos com pavimentos de madeira e com janelas de toque gótico; e também a Capela da Senhora da Piedade de Quintã, templo comunitário junto à velha estrada que liga o Porto a Penafiel.

A Ponte de Espindo é um dos símbolos da Rota do Românico no Vale do Sousa.

O Vale do Sousa, em Lousada, é igualmente recheado de pontes emblemáticas: a de Espindo é uma delas, com destaque para o arco de volta perfeita composta por pedras de origens de datas diferentes, apontando para a sua recuperação. Por seu turno, a Ponte de Vilela terá sido construída quando a circulação entre populações se tornou mais intensa e por isso fora composta por quatro arcos de volta perfeita e três pilares. Para finalizar o passeio desta Rota do Românico, no Vale do Sousa, deves visitar o Memorial da Ermida, que é um dos seis exemplares em todo o país.

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Rota do Vale do Tâmega

Em Amarante, os motivos românicos são diversos. A ponte é apenas um deles.

Agora, a Rota do Românico no berço de Portugal, Guimarães, já no Vale do Tâmega. Esta rota engloba lugares do triângulo que junta Celorico de Basto, Amarante e Marco de Canaveses.

Os caminhos fazem-se caminhando e desbravando lugares até por cima de pontes que transportam sons da natureza ao seu redor. A Ponte do Arco é uma delas. Por baixo, passa o rio Ovelha que liga as duas paróquias: Folhada e Várzea da Ovelha e Aliviada. No entanto, apesar do aspeto românico, acredita-se que tenha já sido erguida durante a Idade Média. A outra ponte chama-se Fundo da Rua, mais completa, vistosa, com mais arcos. Sofreu a fúria das invasões francesas, em 1809, e depois ganhou protagonismo nas páginas escritas de Camilo Castelo Branco. O rio Ovelha também passa por aqui e convida a um passeio pelos verdes que o cercam nesta zona da Rota do Românico.

Os Mosteiros são outros protagonistas desta rota do Vale do Tâmega. Um deles é o de Salvador da Travanca. A sua torre é um das mais altas da época medieval em Portugal e os seus capitéis estão delicadamente salientes, sendo o seu portal considerado o melhor da região. Lá dentro, o teto tem impressionantes motivos religiosos. Rodeado de grandeza, mas bucólica, está o Mosteiro de São Martinho de Mancelos. No seu ponto mais alto, um claustro retangular contém uma antiga fonte e pequenas casas ao redor vão sendo escondidas pelo tempo. O terceiro destes quatro dedos é o Mosteiro do Salvador do Freixo de Baixo. Na fachada principal ainda há restos românicos, assim como a fonte que existe no pátio.

A Ponte de São Gonçalo em Amarante de outra perspetiva.

Fundado entre 990 e 1022, o Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo destaca-se pelas suas paredes exteriores pintadas a branco e pelo seu teto impressionante carregado de pinturas seiscentistas. É um dos mosteiros mais ricos da região de talha dourada no altar e com um arco cheio de triunfo. Este conjunto de edifícios é de visita obrigatória para quem pretende conhecer a fundo a rota do românico.

Em Penafiel, encontrarás a Igreja Salvador de Cabeça Santa, um nome conseguido devido a um crânio guardado em prata e que está exposto no altar da nave da igreja. À primeira vista, este lugar assemelha-se à Sé do Porto e lá dentro, a capela, está revestida com azulejo de mãos dadas com a talha dourada e madeira.

Em Marco de Canavezes, é impossível não reparar no crucifixo torto que salta à vista na parede exterior da Igreja de Santo André da Vila Boa de Quires. É uma das mais trabalhadas da região e foi criada por volta de 1118. Há um janelão no topo da fechada ladeado de arquivoltas longas, ao mesmo tempo que o seu interior é rico em detalhes. Ainda em Marco de Canaveses, não podes deixar de visitar a Igreja de São Martinho de Soalhães — uma das estrelas da rota do românico — de tão soberba que é! Rodeada de serras e de uma aura medieval, este lugar foi antes um mosteiro com portal gótico. Dentro de portas, vais ficar impressionado com tantos detalhes e histórias imortalizados em cada canto.

Castelo de Arnoia

Destaque ainda para a (muito) modificada Santa Maria de Veada com o topo decorado com dois sinos e um piso superior onde estão guardados objetos que já sofreram transformações. Esta igreja está orientada de forma diferente das outras, com uma nova cabeceira e colocada a oeste com altares laterais. No exterior, o portal principal é de estilo barroco e há sereias de duplas caudas esculpidas que podem simbolizar a proximidade com o rio Tâmega, mesmo ali a dois passos. Em Amarante, há uma igreja muito parecida com estas, pelo menos nos dois sinos exteriores. Falamos da Igreja de São João Baptista do Gatão. Em excelente estado de conservação, a capela-mor tem representados o Cristo que transporta a cruz e o Santo António de Lisboa. Ao fundo, há um freixo que deixa entrar a luz que ilumina todo o espaço. Continuamos com os sinos (e desta vez são três) que adornam a Igreja de Santo André de Telões, também em Amarante. Destaque ainda para a ponte romana que que une tudo isto. Por último, no meio de um arvoredo denso, encontra-se o Castelo de Arnoia, também conhecido pelo Castelo de Moreira. Fica em Celorico de Basto e é o único castelo da Rota do Românico por estas bandas. Feito de pedra, do alto da povoação, o seu ar medieval vai transportar-te aos antepassados do século X. É preciso andar a pé para lá chegar, mas o esforço vai compensar, acredita!

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Rota do Vale do Douro

O rio Douro faz parte da paisagem da Rota do Românico.

Comecemos pelo Marmoiral de Sobrado, em Castelo de Paiva. É composto por duas cruzes latinas na cabeceira e duas lajes horizontais que nos remete para festejos fúnebres. Já o Memorial de Alpendorada, de granito, situado numas encruzilhadas de estradas nacionais do interior de Portugal, faz lembrar a Ermida de Penafiel.

Situado junto ao rio Douro, o Mosteiro de Santo André de Ancede teve, desde cedo, uma enorme importância económica, com os seus monges a explorarem os recursos naturais das margens com a produção do vinho e de rendas das propriedades. Deste passado, é possível visitar os antigos celeiros, adegas, lagares e quinta ao lado da igreja. Do românico resta apenas a rosácea na parede da capela-mor.

A Igreja de São Tiago de Valadares mantém a sua riqueza românica com o passar dos anos. No telhado, há gravuras de animais cravados na pedra e, no interior, o teto branco envolto em vermelho confere-lhe uma aura especial, ainda mais com a ajuda de janelas enormes nas laterais.

O mesmo se passa com a Igreja de Santa Maria de Barrô com a sua torre exterior à direita a dar-lhe uma altivez monumental virada para o Douro e rodeada de vinhas. Lá dentro, o granito confere-lhe a frescura de um monumento do século XIII com amplas e também iluminadas cabeceiras góticas.

A Igreja de São Martinho de Mouros quase parece uma fortaleza contra invasões: é um forte construído em 1217 com pouca ornamentação no granito dentro de portas. Há abóbodas alicerçadas em pilares largos e quadrangulares, e teto decorado com santos em pinturas que te vão deixar de queixo caído. A mistura do granito e o reboco da torre exterior distingue a Igreja de São Cristóvão de Nogueira e são resultado de grandes alterações da época moderna. O portal principal não tem colunas mas as arquivoltas apresentam pérolas muito comuns nesta zona do país.

Igreja de Santa Maria Maior de Tarouquela situa-se em Cinfães, na Rota do Vale do Douro.

Ainda na rota do Vale do Douro, agora em Cinfães, encontramos, num pequeno largo apoiado em escadas de pedra, a Igreja de Santa Maria de Tarouquela. Foi gerida por abadessas até à passagem das monjas para o mosteiro de São Bento de Avé-Maria, no Porto. Com dois blocos de granito e só com um largo corredor, a Igreja de Nossa Senhora da Natividade de Escamarão foi erguida ao lado do cemitério com vista para o Douro. Não há colunas e há janelas já com traços de gótico manuelino na capela-mor. Também num pequeno altar natural no exterior e rodeada de estradas de terra batida está a Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios, bem perto do rio Tâmega. Este é um momento que simboliza o Românico de Resistência, apesar de já não existirem colunas no portal principal e a parte de trás da igreja ser mais trabalhada que a sua frente. Lá dentro, o seu teto surpreende por estar coberto de madeira e o arco é decorado com elementos bucólicos e o altar-mor carregado de talha dourada. Sem dúvida, um dos edifícios mais icónicos da rota do românico. Ufa! E é isto a rota do românico. Muitos apontamentos? Vá, agora, faz-te à estrada.

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